sábado, 23 de abril de 2011

PESO PESADO

O único filme da 10ª edição do Tribeca Film Festival com enfoque num assunto brasileiro foi também o primeiro a ter o tapete vermelho desenrolado para sua estreia. Like water, do americano Pablo Croce, estreou logo no primeiro dia da maratona de exibições, um dia após a abertura oficial com a projeção de The union, de Cameron Crowe, ao ar livre.

O documentário de Croce, primeiro longa dele, que até aqui só vinha fazendo videoclipes musicais de sucesso, sendo inclusive indicado quatro vezes ao Grammy Latino pelo seu trabalho, retrata o lado pouco conhecido aos fãs do lutador brasileiro Anderson "Spider" Silva: o cotidiano de um pai de família, humano, sensível e que não tem nada a ver com o demolidor dos ringues de luta vale-tudo.

O diretor é o primeiro a admitir que se surpreendeu com seu trabalho: "Nunca fui fã de lutas e tinha só um vago conhecimento do estilo vale-tudo", confessa, ao desfilar brevemente pelo tapete vermelho. "Mas a história do homem por trás do atleta me encantou e tenho certeza que vai agradar ao público".

A presença e Anderson na estreia do filme não estava confirmada, mas os fãs, muitos trajando camisetas com retrato do ídolo e carregando fotos, ansiosos por um autógrafo, faziam fila longa para comprar alguns dos poucos ingressos para a sessão já esgotada. A multidão e os fotógrafos entraram em delírio quando o sempre elegante Anderson saltou de um carro, acompanhado da bela esposa Daiany, na direção do tapete vermelho.

Até quem passava pela rua, alheio ao que estava acontecendo, não resistiu parar para fotografar o lutador com seus celulares. "É cantor de rap?", perguntou uma transeunte. O atleta posou para as fotos de praxe, deu entrevistas, obscureceu todos que estavam a seu redor, mas seu olhar estava mesmo era na direção dos fãs, que por trás das barricadas, gritavam seu nome.

Já no dia seguinte, mais relaxado e visivelmente confortável, no lobby do luxuoso Gasenvoort Hotel, Anderson falou sobre a não planejada trajetória do menino de origem humilde até o presente status de celebridade. "Nada na minha vida foi planejado, tudo foi acontecendo naturalmente até chegar onde estou hoje em dia". Aqui ele se refere ao fato de que nunca se passou pela sua cabeça se tornar lutador profissional. Ele acreditava, em sua infância, que fosse acabar mesmo era acabar se tornando policial, assim como seu pai e seus parentes próximos.

"Eu sempre fui vidrado em lutas marciais, fiz jiu-jítsu, capoeira, taekwendo e boxe, mas como atividade física", lembra. "Mas as coisas foram acontecendo naturalmente, fui vencendo competições até que chegou uma hora em que eu percebi que poderia viver disso".

Anderson não é somente um bom lutador, é quase um dos símbolos de um novo estilo de luta que envolve a mistura e vários estilos. O MMA (mixed martial arts) é baseado nas lutas de rua brasileiras, aquelas em que vale tudo. O UFC, liga que melhor representa essa franquia, cresce em número de audiência numa progressão geométrica e Anderson é um de seus maiores atletas, detentor do título de campeão peso médio ha quatro anos e que mantém o maior nível de invencibilidade.

Anderson acredita que o novo esporte — a liga UFC foi criada em 1993 — pode ajudar a criar um novo estilo e luta, assim como a família Gracie redefiniu o jiu-jítsu. "A tendência no futuro próximo é que mais e mais campeões de outros estilos, como o judô, caratê e boxe, venham se juntar a nossa liga e contribuir no aprimoramento desse esporte".

A respeito do filme, confessa que a princípio teve algumas reservas porque não está acostumado a expor sua família, mas logo no início das filmagens percebeu que a humanização de sua persona só teria a contribuir com a filosofia do esporte. "O público vai ver que 70% dos lutadores são iguais a mim, pais de família, pessoas comuns que vão trabalhar e voltam pra casa no final do dia. É importante deixar claro que os lutadores não são pessoas violentas, mas profissionais, e que as lutas marciais são uma filosofia de vida, não uma forma de agredir as pessoas".

A experiência de participar desse e em outros filmes lhe chamou atenção a respeito do poder de penetração e alcance do cinema. "Consigo mesmo me ver envolvido em produções no futuro próximo. O cinema nos proporciona a oportunidade de promover as artes marciais como uma filosofia de vida e não como luta e violência gratuitas".
Fonte:R7

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